Outono

Outono

Parti numa manhã cinzenta e triste, sem coragem de olhar para trás, mas com a benção de mamãe que sorria alegremente ao ajudar-me a fazer a mala e separar os pertences da viagem. Não tinha ideia do que levar e não compreendia o comportamento de dona Yolanda que me acenava contente do portão, com uma força que não lhe permitia se entregar, tão pouco cair. Contudo, minutos depois, precisei voltar às pressas, pois havia me esquecido o violão sobre a poltrona da sala de estar. Ao entrar silenciosamente sem ser notado, para a minha surpresa, pude ver que mamãe — a mulher durona e forte — agora se debulhava em lágrimas, ajoelhada em frente ao fogão.

OutonoO Malandro da Rua do Ouvidor

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