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Liga da Justiça
On abril 30, 2010 | 2 Comentários

Quem tem mais de quarenta anos deve lembrar da sala da “Liga da Justiça” e de seus membros. Era uma época em que os desenhos animados faziam a alegria da garotada e também dos marmanjos que despretensiosos adiavam a vida adulta para acompanhar uma saga infanto-juvenil — bem como em épocas anteriores, como a minha —, diferente dos dias atuais que migraram a exibição cartunista para os canais de TV a cabo. Penso, com isso, que as novas gerações perdem a fantasia e o lado mais lúdico da vida, enfim. Eram eles: Superman, Mulher-Maravilha, Aquaman, Batman e Robin. Mais adiante, o quinteto ganhou reforço com a chegada dos Super-Gêmeos, The Flash, Vulcão Negro, Homem Águia e Mulher Águia, Átomo e Arqueiro Verde. O propósito desses heróis era combater a injustiça. Para isso, eles dispunham de uma super sala, onde se reuniam para montar estratégias de combate ao crime. A história em quadrinhos fora criada pela DC Comics. Mais tarde, a Warner Bros transformou o desenho em versão animada.

Todos usavam seus super poderes para servir à humanidade. O Homem de Aço era veloz e sua visão era de raios-X. A Mulher-Maravilha usava braceletes que desviavam as balas de aço do oponente; tinha um laço que prendia o bandido, e seu avião invisível era guiado por telepatia. O Aquaman respirava embaixo da água e se comunicava com os animais marinhos com o poder da mente, por telepatia. Já o Batman concentrava seus poderes no cinturão, e Robin era seu fiel aprendiz.

Em “O Mito do Super-Homem” existe uma teoria muito interessante a respeito do assunto, cujo conhecimento vem da época que cursei comunicação social. O teórico Umberto Eco faz uma crítica ao super-herói apontando que ele é a personificação estereotipada do poderio americano, dizendo: “Nosso herói salva velinhas de ladrões; impede assaltos a bancos milionários; desmonta quadrilhas. Mas ele não ajuda os miseráveis que vivem na rua; não acaba com as guerras por petróleo; não elimina o trabalho escravo”. Mas quem, enfim, à época, não desejou ser o pateta do Clark Kent que, além de virar um super-homem imbatível, beijava a mocinha Louis e ainda voava? Qual garota não desejou os musculosos braços do super herói?

Na vida real, contudo, nossos heróis ganham esse título por merecimento. Papai, apesar de ter sido o meu oposto, era para mim um herói. Salvou-me várias vezes dos monstros que surgiram na minha vida. Salvou-me de abelhas gigantes e ferozes; ensinou-me a lutar; ensinou-me a me defender e a fugir quando necessário. Mamãe, por sua vez, é tão heroína quanto a Mulher-Maravilha, pilotando diariamente uma nave invisível chamada de lar. Todo o esforço feito por mamãe para manter a aeronave planando, porém, quase nunca era percebido. Eu, ainda criança, via a louça lavada, a casa perfumada, e a comida delicadamente servida à mesa, religiosamente às 11 horas e 30 minutos. Meu irmão era meu Super-Gêmeo. Passamos uma infância inteira tentando ativar uma motocicleta sem motor; acionando nossos anéis para que o nosso autorama nunca deixasse de funcionar.

Hoje percebo que meu maior herói está dentro de mim mesmo. Provavelmente, papai também pensou assim, embarcando nessa nave que viaja para algum lugar distante, para um mundo desconhecido, talvez, na luta diária pela dignidade de uma vida honesta e feliz. Percebo, sobretudo, que não cheguei aqui sozinho. Vários outros personagens e heróis se inseriram na minha história. Para eles, sou eu quem determina a quantidade de poderes e como esse poder será usado sobre mim, e não o contrário. Dou todas as armas solicitadas: capas, braceletes, naves invisíveis, mas limito seus poderes conforme me convém e os tiro sempre que necessário. E, ainda hoje, na melhor idade, diga-se: preciso muito de cada um desses heróis reais ou imaginários.

Comentários: 2
Teresa Publicado em maio 16, 2010 às 6:53 pm   Responder

Assisti poucos desenhos ao longo da minha vida, mas me lembro dos Super Amigos. A grande sacada é pensar que nossos heróis são muito mais imaginários do que reais. No entanto, quando admiramos alguém e esse alguém nos faz melhor não há problemas em tentarmos nos tornar iguais. Será que você já não foi o herói de várias pessoas ao longo do teu caminho? Teresa.

AX Publicado em maio 18, 2010 às 2:26 pm   Responder

Estava viajando entre as estrelas , quando fui surpreendido pela fada Azul. Ela linda, com sorriso iluminado, com os olhos da verdades e o coração puro, me concedeu um desejo… e eu pedi: pedi simplesmente que sejamos os nossos próprios heróis, e felizes!

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