Jornalismo Cultural

Jornalismo Cultural

A motivação que conduziu esta monografia, além do meu grande interesse pelo Jornalismo Cultural, talvez tenha sido a proximidade entre analisado e analisando, como numa pesquisa de campo, onde o objeto não se distancia da atenção do seu apreciador e vice-versa. Além da observação dos fatos, e de possíveis conclusões, o aporte teórico e científico foi o que legitimou a minha pretensão de contribuir para os estudos de uma Escola de Comunicação, num sentido social, científico e filosófico e, desta forma, entender como a imprensa percebe e publica textos jornalísticos sobre uma peça de teatro, refletindo acerca dos profissionais envolvidos que, através dos gêneros discursivos, típicos das seções de cultura dos jornais, constroem uma percepção de realidade para públicos diversos, em meios socioculturais diferentes.

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INTRODUÇÃO

Você tem algo de profeta, padre e poeta. Os deuses lhe deram eloquência como a nenhuma outra pessoa, para que sua mensagem possa chegar até nós com o fogo da paixão e o encanto da música, para fazer o surdo ouvir e o cego ver. Oscar Wilde

O jornalismo cultural sofre, ao longo dos últimos anos, mudanças radicais em seu formato e em especial em suas matrizes. A indústria do entretenimento parece ditar o que será publicado, como será publicado e para quem se destina determinada publicação. Quanto mais avançamos no tempo e fazemos parte de um mundo híbrido, onde o digital se funde ao analógico, e o substitui; onde a cultura singular é cada vez mais plural, globalizada, e sem fronteiras; onde o contemporâneo trouxe a convergência midiática, a velocidade da informação e uma maior urgência do consumo de capital, a arte parece se render a uma duplicidade banal e sem aura.

A peça de teatro Marido de Mulher Feia Tem Raiva de Feriado, escrita por Paulo Afonso de Lima e Ary Fontoura, será objeto de estudo desta monografia para diversas proposições que guiarão nossas reflexões acerca do jornalismo cultural. O objetivo é entender, através da análise de conteúdo publicado na mídia, os caminhos percorridos e os espaços reservados para o gênero teatral – a comédia, que muitas vezes é vista com olhos preconceituosos e que, por outro lado, é o pretexto para a manchete que vende o jornal.

O teatro será o agente motor através dos mais diversos períodos e movimentos sócio-culturais e políticos do Antigo Oriente a Aristóteles; da Idade Média ao Humanismo da Renascença; passando pelo Barroco, pelo Romantismo, pelo Naturalismo até a chegada do teatro clássico: a tragédia e a comédia, na atualidade. O meio é o teatro e o fim é a compreensão dos rumos do jornalismo cultural. Na obra de Margot Berthold, História Mundial do Teatro; no Dicionário do Teatro Brasileiro – Temas, Formas e Conceitos, da editora Perspectiva; e através do olhar de Jean-Jacques Roubine, no livro Introdução às Grandes Teorias do Teatro, encontraremos o embasamento teórico para a compreensão inicial do nosso objeto.

O intuito desta análise é travar um diálogo entre alguns teóricos do jornalismo cultural e dos tipos de discursos empregados nos textos das editorias de cultura. Podemos destacar alguns nomes como o de Daniel Piza, nas publicações Questão de Gosto: ensaios e resenhas, Jornalismo Cultural e Teoria do Jornalismo. Embora sua linguagem seja bastante técnica, atualmente, Piza é um dos maiores ícones deste tipo de jornalismo.

A crítica ocupa determinado espaço na editoração e no consciente do leitor, mas quem é esse profissional? Qual a sua capacitação e envolvimento com a estética desta arte? Até onde a subjetividade do que lemos é compreendida? De onde vem o seu poder para julgar? Como ele se posiciona diante de determinado gênero teatral e de que maneira percebemos a sua influência? É a partir daí que esta pesquisa tentará compreender, seja através das marcas textuais ou mesmo de uma preferência ou um preconceito visível, o tão “temível” crítico.

Este projeto também pretende promover reflexões sobre o que se espera dos estudantes de comunicação e dos futuros profissionais de jornalismo. Da necessidade da compreensão das suas tarefas e das atribuições no exercício da profissão. A questão dos valores está diretamente ligada à educação, ao contexto social e familiar e ao núcleo acadêmico. Mas o que são esses valores culturais? Qual é a verdadeira identidade do povo brasileiro que é obrigado, e que foi acostumado, a consumir um produto cultural importado? Como detectamos e produzimos material jornalístico, de maneira isenta e menos empacotada, numa sociedade dita livre e contemporânea?

Através dos questionamentos abordados e considerando a responsabilidade social que é atribuída ao jornalista, por pretender ser ele o guardião da informação e da verdade, ainda que subordinado ao mercantilismo dos veículos de comunicação, esta monografia abre espaço para entender qual é o fluxo e o contra fluxo da emissão da informação e da opinião; e pensa como este profissional se articula como ator social e se, finalmente, cumpre, até quando é possível, livremente a sua função.
A Cobertura Jornalística Teatral

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